'Murmúrio da Semelhança'

de Rita Gaspar Vieira

São cópias, decalques, moldes e réplicas que transferem para folhas de papel ou simulam, na verosimilhança de espaços que lhes são alheios, a obtusa familiaridade do que acolhe o quotidiano e guarda, em negativo, a ressonância dos gestos multiplicados na sucessão dos dias. Nada há de efémero nesses gestos que se repetem no convívio com as coisas e lentamente modelam o desgaste das superfícies porque no silêncio que envolve a sua replicação apartidária é o próprio mundo que se manifesta nas mutações liliputianas que o actualizam. E nem é possível falar do avesso das coisas já que, matéria sobre matéria, é sempre a face exterior de um limite que vem a nós, seja ele o chão de uma casa, a folha de uma porta ou o tampo de uma mesa.